segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Oeiras XXI – Estórias – Capítulo I

““OEIRAS XXI”, a Agenda 21 Local de Oeiras, é a Estratégia e o Programa de Acção através dos quais a autarquia procura mobilizar os seus recursos próprios, bem como todos os agentes locais, com vista ao desenvolvimento sustentável do concelho.”(in Oeiras 21+: Agenda da Sustentabilidade para Oeiras 2008 – 2013, CMO, 2009)

É um documento estratégico, que genericamente propõe para todas áreas, as medidas politicas, os projetos, as ações que deveriam ter sido desenvolvidas entre 2008 e 2013.
Nesta agenda, encontramos um capítulo que tem por título “Visão Sobre Qualidade de Vida Ambicionada para Oeiras 2020.

É composto por uma série de textos onde se sonha a vida em Oeiras em 2020.

Nos meus próximos textos neste blog irei transcrever partes do texto da Agenda, seguido da minha visão irónica de Oeiras em 2020. Isto se se continuarem a fazer as políticas seguidas até hoje

Habitação, Espaços Exteriores e Equipamentos

A minha casa é muito confortável e sossegada. Já está paga porque beneficiei de um programa de requalificação de habitações promovido pela autarquia. O sol entra por ela dentro no Inverno. Consome muito pouca energia, tanto de Inverno como de Verão, graças à qualidade da sua arquitectura bioclimática e dos materiais usados. Consigo até vender electricidade, para a rede pública, produzida pelo meu sistema de energia fotovoltaica instalado no telhado.

Ou será assim…

A minha casa não é muito confortável nem sossegada…e ainda por cima não é minha. É do banco (mas já só faltam 30 anos para ser minha).

Como vivo perto do mar (vantagem de viver em Oeiras), tenho o teto negro da humidade. O prédio tem 20 anos e já começou a “dar de si”, começam a surgir fendas nas paredes.

Tal como a maioria das casas neste concelho a insonorização é inexistente, graças a qualidade da arquitetura e dos materiais usados, o que me faz acordar ao som do choro do filho da vizinha do lado e adormecer embalado pelas molas da cama dos vizinhos de cima.

O sol entra por ela dentro porque ainda não consegui poupar dinheiro para arranjar os estores, o que me permite poupar energia no Inverno e queimar calorias no Verão.

Felizmente soube da existência de um programa de requalificação de habitações promovido pela câmara municipal e disse de mim para mim “É desta que vou ficar com a casa arranjadinha!”.

Entrei na câmara com um sorriso na cara, cheio de confiança e com a esperança que o futuro seria melhor, porque afinal, com programas destes vale mesmo a pena viver neste concelho.

Dirigi-me a uma funcionária e perguntei: Como posso candidatar-me ao programa de requalificação de habitações?

Reparei no ar confuso da senhora. “Programa de requalificação de habitações? Aguarde só um momento que vou perguntar.”.

Esperei, esperei, esperei…

Trinta minutos depois, a funcionária, com um ar triunfante chama-me e diz:

“Já tenho informações para si. O programa está num PDF! Passe por cá lá para o final de…2025, pode ser que tenha novidades.”.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Não me lembro…Paulo Vistas também não.

Assisti este mês à cerimónia de aniversário da Freguesia de Barcarena. Comemorou-se o 180º aniversário. Cerimónia digna, bem organizada, onde foi homenageado o ainda autarca Guerreiro Soares e a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários e Progresso Barcarenense.

Nada a dizer.

Interessante foi o momento dos discursos políticos. Curioso foi observar que todos sem exceção, deram pancada no Presidente da Câmara. Começou a CDU, com a memória do programa eleitoral do Paulo Vistas. Correu mal, para este, pois tudo o que disse o Tiago Rodrigues é verdade. Seguiu-se o PSD pela voz de Victor Cardoso, que enumerou uma série de fraquezas da freguesia e questionou de forma velada este encontro, este casamento, entre PSD e Paulo Vistas e o silêncio do seu PSD.

Foi então a vez do PS. O líder da AF de Barcarena, disse essencialmente que há anos que tudo está igual. Que não se veem melhorias. Acrescentou que a Freguesia continua sem ser parte das preocupações do executivo (de quem verdadeiramente executa). Falou da AUGI de Leceia, com a ironia que a obra merece: 


Depois o líder de bancada do PVMF (Paulo Vistas Mais à Frente) disse que Barcarena não está mais atrás. Está ligeiramente atrás, pois afinal nada do que ele esperava se concretizou.

Mas o melhor discurso foi mesmo o do Presidente da Junta! Começou por fazer vénias militares ao Presidente da Câmara, como se de camaradas de armas se tratassem, e foi dizendo que este é o modelo de governação que quer e em que acredita, mas que gostava de ter mais competências, mais soluções, e mais integração dos seus problemas nas preocupações do “seu” Presidente.

O Presidente, Paulo Vistas, esteve 40 minutos a defender-se. 40 minutos a nada dizer, a não ser que ideologicamente não acredita na descentralização da Câmara para as juntas, apesar de acreditar na descentralização do Estado para as Câmaras (caso da educação), o que é uma enorme ambivalência, o que também não nos admira.

E acrescentou 4 notas, tiradas do bolso e escritas num pequeno cartão:
  1. Sobre Leceia, que o Tiago Gonçalves tinha sido excessivo (o que em linguagem deste tipo de políticos significa: tens razão); 
  2. Que finalmente se vai arranjar a Capela de S. Bruno; 
  3. Que finalmente se vai construir o Centro Social e Paroquial de Barcarena; 
  4. Não me lembro, e ele provavelmente, também não!


sexta-feira, 24 de julho de 2015

Aproximações – nas listas para deputados, claro!


Muitas notícias têm sido publicadas sobre os “seguristas” e os seus posicionamentos na lista de deputados. Gosto especialmente da notícia que deseja Boa Sorte, como quem se põe à margem da campanha, para depois poder, julgam, ajustar contas.


As virgens ofendidas!

Este é que é o espírito! O verdadeiro espírito socialista. Aquele, igual ao de muitos militantes que nunca tiveram lugar nenhum, e que estão SEMPRE presentes. Nos comícios. Nas reuniões. Nos jantares.

São estes camaradas que falam em necessidade de primárias para escolha dos candidatos a deputados. Justificam com a necessidade de abrir o partido à sociedade civil. Pois…de facto, querem aproximar-se da sociedade civil, sem nunca pensarem que o chiqueiro que fazem nas notícias, nos telejornais, nas redes sociais, afasta os cidadãos da política, e do Partido Socialista.

Aqui por Oeiras, como não podia deixar de ser a história repete-se. Dizem, entre eles, que Oeiras é uma Aldeia Gaulesa, de onde tomarão o poder na Federação da Área Urbana de Lisboa. Justificam-se assim, os flic flacs a que assistimos recentemente.

Não foi há muito tempo que houve eleições internas. Foi há 1 ano e meio. Essas começaram, para alguns, muito antes. Ainda em campanha eleitoral para as autárquicas, já os protagonistas da ética estavam no terreno a “chatear os militantes” com o estado de coisas, que no seu entender não podiam continuar com a mesma presidente: Eu.

Fomos a eleições, e o resultado foi claro. A direção política manteve-se.

O que fizemos, desde essa altura? Terá sido nada?

O trabalho está documentado. Nunca um secretariado de uma comissão política fez tanto trabalho de terreno. Nunca um secretariado da comissão política falou com tantas instituições, sem que o fizesse em ações relâmpago. Nunca um secretariado da comissão política fez tantas atividades. Debates. Jantares. Convívios. Convenção. Comissões políticas para debate de temas específicos com incidência local.

Não será por falta de trabalho que poderão um dia acusar de falta de atividade política, nem da falta de
argumentário construído em conjunto.

A verdade é que nestes jantares, reuniões, debates, nem todos aparecem. Até se iniciam reuniões mais tarde, para que todos possam calmamente chegar dos seus jantares e afazeres, fora de horas, com o respeito pelos outros que lhes é conhecido.

A última comissão política estava cheia. E depois de apresentados os critérios e explicada a decisão do secretariado da Comissão politica sobre os nomes a apresentar, lá ouvimos nós que esta lista não representava as tendências do PS de Oeiras.

Claro, que este argumento cai por terra. Então, onde esteve a aproximação durante este ano e meio de trabalho? Foi na construção de posições em sede de secretariado alargado com os membros da liderança de bancada da assembleia municipal? Foi na tentativa de alterar os votos das reuniões de Câmara para as reuniões da assembleia municipal? Foi nas declarações de voto onde escrevem que só tomaram uma dada posição por decisão do órgão competente? Ou era só a vontade de ter mais palmas na Assembleia Municipal?

Foi na articulação das propostas de recomendação apresentadas em Assembleia Municipal, que apesar de se ter pedido que fossem remetidas para o secretariado com tempo para que este se pronunciasse, são enviadas às 12h do dia da reunião que começa às 15h?

Foi na participação efusiva nas atividades da concelhia?

Foi na articulação de lista única para as eleições do último congresso? (que começou por ser só a possibilidade de se fazer lista única para acabarem com a exigência do lugar x e do lugar y?).

Bom...a resposta é simples.

A aproximação é só para o momento das listas. Diria: é oportunista.

E diria ainda, que não estou disponível para receber recados de quem faz de conta de querer conversar, alegando muita preocupação com o partido, com o futuro.

Não estou disponível para manchar o nome do PS Oeiras com atitudes mesquinhas.

Hoje. Amanha. Quando e onde quiserem. Podemos analisar e discutir o que se passou. Podemos pensar o futuro. Com seriedade. Com verdadeiro sentido de unidade. Com verdadeiro espírito socialista.




terça-feira, 5 de maio de 2015

sábado, 25 de abril de 2015

41º aniversário do 25 de Abril de 1974, na palavra dos autarcas de Oeiras

Depois do habitual hastear das bandeiras, seguiram-se as intervenções das forças políticas com representação na assembleia municipal de Oeiras.

O 25 de Abril é recordado de formas diferentes, e é sobre essas diversas, e até peculiares intervenções, que aqui deixamos as nossas leituras.

PAN - Os cães ladram e os chaimites passam.

CDS - 25 de Novembro sempre! Com um laivo de afinal a democracia não existe no meu partido.

BE - Sem nós nada existia….ups…afinal já não somos do PCP!

PCP - Sem nós o resto do mundo não existia, e a aproximação à sociedade, certamente não é a nossa prioridade e por isso não gostamos de comemorar esta data em instalações da sociedade civil.

PSD - Despique com o CDS no dia da confirmação da coligação para as próximas legislativas

PS - Ouvimos falar de Abril.

IOMAF - A lista de compras transformada na lista de obra feita.

E na voz do Sr. Presidente da Câmara - Acreditar. Acreditar. Acreditar. Sempre acreditou no SATU. Mas não acreditava neste traçado.

Da nossa parte,
Viva o 25 de Abril!


Alexandra Moura e Tiago Gonçalves

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Filho da madrugada

Sou filho da madrugada.
 
Filho de uma madrugada que pôs fim a uma noite que parecia interminável.
 
Sou filho da madrugada.
 
Filho de uma madrugada que abriu as portas da minha vivência a um mundo tão distante quanto as fronteiras que limitavam o pensamento.
 
Sou filho da madrugada.
 
Filho de uma madrugada que permitiu que aqueles que, como eu, nasceram na madrugada ou no dia que dela se originou tivessem mais hipóteses de viver para lá desse tempo.
 
Sou filho da madrugada.
 
Filho de uma madrugada que me permitiu saúde.
 
Sou filho da madrugada.
 
Filho de uma madrugada que me permitiu educação.
 
Sou filho da madrugada.
 
Filho de uma madrugada que me abriu as portas do mundo para que fosse a sítios e locais anteriormente imaginados e que estavam aqui, tão perto.
 
Sou filho da madrugada.
 
Filho de uma madrugada que me deu mundo e que trouxe o mundo a mim.
 
Sou filho da madrugada.
 
Filho de uma madrugada que me tirou o medo. Levantou-me barreiras ao pensamento. Permitiu-me expressar ideias e opiniões.
 
Sou filho da madrugada.
 
Filho de uma madrugada que desaguou num dia nem sempre solarengo. Mas que mesmo no dia mais cinzento, no dia onde as intempéries do tempo mais se manifestam, no dia em que a tempestade mais atroz desaba sobre nós... mesmo nesse dia um raio de luz passa por entre as nuvens e eu posso vislumbrar o dia de amanhã.
 
Sou filho da madrugada.
 
E quando a noite chegar e eu definitivamente dormir, dormirei com a certeza que essa noite é egoisticamente minha. E que o dia, esse dia que iluminou a minha vida, continuará.
 
Por causa dessa madrugada!
 
 

sexta-feira, 10 de abril de 2015

No SATUO...mas a pé.





Sou um pouco esquecido…bem, talvez distraído seja a melhor expressão.

Alguns irritam-se, outros acham graça.

Confesso que não é por mal, simplesmente sou assim.
Hoje, dia 1 de Junho de 2015, acordei e decidi deixar o carro em casa. Vou embarcar na aventura dos transportes públicos em Oeiras (é neste momento que os leitores pensam…não és esquecido, nem distraído, tu és é parvo!).

Destino: Oeiras Parque

Após uma curta viagem de 40 minutos entre Queijas e a estação de Algés, apanho o comboio até Paço d’Arcos. É hoje que vou andar pela primeira vez no SATUO.

Numa primeira observação nada de estranho – Estação vazia.

Espero… Espero… Desespero…nem SATUO, nem pessoas. Mas que merda é esta. Logo hoje que ia experimentar as maravilhas da política de transportes do concelho.

Após 30 minutos de irritação eis que se faz luz na minha cabeça. GREVE DOS MAQUINISTAS!
Maquinistas? Sou mesmo distraído. O bicho anda sozinho. Modernices de um concelho que está mesmo mais à frente!

É nesta altura que alguém me grita. “Oh atrasado! Essa merda fechou ontem!”

Fechou??? Ontem??? Porquê??? Como???

Isto deve ter o dedo da Merkel…inveja. Pura inveja.

A verdade é que continuo a ter de ir ao Oeiras Parque. O melhor é aproveitar esta fantástica passagem aérea e ir a pé. Só espero não encontrar nenhum monocarril desgovernado.

E assim, durante a minha primeira viagem no SATUO, feita a pé, aproveito para pensar como é que os munícipes de Oeiras conseguirão levar as suas vidas para frente. Como conseguirão sobreviver a este revés.

Mas a culpa de certeza que é da Merkel.